Ivo Nesralla Jr. guarda boas lembranças do período em que estudou na Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, em 1993. Então com 19 anos, o hoje dono do restaurante Nakasa, situado na região oeste da capital paulista, costumava freqüentar as imediações do Washington Square Park para observar o trabalho de algum sushiman.
O interesse por comida japonesa surgiu do convívio com a colônia de estudantes daquele país que também freqüentava a universidade. “Fui para estudar inglês, voltar e terminar a faculdade de publicidade, mas a descoberta da gastronomia japonesa acabou mudando um pouco os planos”, lembra.
Ele voltou ao país um ano depois com a intenção de abrir uma casa de comida japonesa e concluir o curso de publicidade, mas acabou abrindo o restaurante e trancando a matrícula na faculdade.
Daquela época, além da paixão pelos sabores orientais, ele guarda o poder de observação usado até hoje no que ele chama de “processo” de tocar um restaurante. “Quando a casa fica fechada eu costumo ficar sozinho e acabo percebendo algo a ser melhorado no restaurante. São pequenos detalhes de decoração e serviço, mas que fazem toda a diferença”, explica.
Segundo ele, o acerto desses detalhes é sua principal motivação à frente do restaurante. “A mágica acontece nas pequenas coisas. Às vezes, eu acerto o volume da música ambiente e fico imaginando o trabalho dos garçons e dos sushimen.”
Experiência
O Nakasa não é seu primeiro restaurante. Quando abriu a primeira casa, ainda morava em Porto Alegre. O restaurante, aberto em parceria com a amiga de infância Valéria Obino, foi batizado de Sushi Express. “Ela também tinha ido passar uma temporada em Nova York e vivido as mesmas coisas que eu, e então veio a idéia de abrir um restaurante”, diz.
Demorou um pouco para o Sushi Express engrenar. “Só passamos a ficar lotados quando fizemos a jogada de marketing de servir rodízio de sushi. A palavra ‘rodízio’ é muito familiar para o gaúcho”, explica.
O restaurante foi fechado em 2007 e ele passou a se dedicar exclusivamente ao Nakasa. O estabelecimento foi aberto em 19 de novembro de 2004, data que está na ponta da língua. “Meu sonho era montar um restaurante em São Paulo, então eu fiz o projeto de uma casa. O restaurante é meio orgânico e está sempre passando por mudanças.”
Contudo, ele encara cuidar do restaurante e cozinhar como dois prazeres complementares. “São duas coisas que me fazem feliz. Eu gosto de cuidar do ambiente e fazer experiências na cozinha, ver a aceitação de um prato junto aos clientes. O que me dá prazer é ver as coisas acontecerem por aqui.”